Friday, November 30, 2007

War in Rio


Eu joguei muito pouco WAR na minha infância. Eu achava muito pouca geografia para meus conhecimentos de todas as capitais do mundo, e eu as sabia mesmo. Achava bobo jogar um jogo em que só se anexava regiões por meio de dados. Mas joguei algumas vezes, uma delas, até pouco tempo atrás com Alfredo e amigos. Bem. O jogo teve novidades: lançaram a versão Império Romano, por exemplo, em que você anexa regiões próximas de Roma. Ainda não joguei.

War não é apologia a violência, mas antes de tudo, uma forma de evidenciar a guerra, mesmo que ela seja urbana. Hoje de manhã, acesso o meu email e vejo a seguinte notícia - "War in Rio". Um morador do Rio de Janeiro - Fábio Lopes, além de ter um blog, criou e divulgou um jogo peculiar de tabuleiro - War in Rio. O designer de 29 anos, morador da zona Sul carioca, mestre na sua área, divulgou as fotos e confeccionou o dito jogo em forma de protótipo do que seria o jogado pelas demais pessoas interessadas. No lugar de países, ter-se-ia bairros da cidade, a zona norte, a zona sul, a zona oeste, a baixada fluminense, e o centro. No lugar de exércitos, ter-se-ia as milícias, como o Comando Vermelho, a PM, o BOPE, o Terceiro Comando e outros...

Não. Não tem nada de engraçado. O filme recém lançado, Tropa de Elite, em que o Baralhão de Operações Especiais é a instituições central do filme, mostra não apenas soldados mal pagos pelo Estado do Rio de Janeiro, mas o sofrimento de famílias que contam como seus membros, soldados do BOPE. A situação passa dos limites a muito tempo, desde do Gov. do Sr falecido Leonel Brizola, seguido por Marcelo Alencar, Garotinho e agora Cabral. Diga-se de passagem que os prefeitos nunca foram também conhecidos como gente honesta, digamos assim.

As autoridades reclamam do Governo Federal, mas pagam mal a polícia e mal aparelham a mesma. Se a arte imita a realidade, o filme demonstra viaturas sucateadas sendo usadas pela polícia, mostra policiais tendo que conviver no meio de bandidos, coisa impossível de se combater, por melhor que seja o caráter dos mesmos.

O jogo de Fábio Lopes apenas pega o embalo do filme e mostra, mais uma vez para a sociedade, o quanto uma cidade pode ser tomada por máfias e milícias, numa espécie de poder paralelo ao Estado de Direito: há o Estado, com suas instiuições legais, com suas leis; e há o poder paralelo, na qual as milícias ditam para os cidadãos as demais restrições que os mesmos têm de obedecer para não serem assaltados, para não serem sequestrados, não sofrem qualquer tipo de coação física ou psicológica quando se vive na mesma.

É uma pena. Eu não gosto do Rio, mas tenho pena de quem mora e gosta tanto de uma cidade que está se acabando, que sua economia sobrevive de royalties do Petróleo extraído de lá e quando isso tudo acabar, será tomada pelo narcotráfico, pois esse terá mais poder e receita que o próprio estado do Rio de Janeiro.

Confesso que isso não é particularidade do Rio, mas nas demais cidades, as pessoas brigam, as pessoas protestam e não ficam nesse estado de letargia, de observar que os políticos que elas elegem são nada mais que bandidos de paletó e gravata, tentando lavar dinheiro por meio da máquina pública. Nisso, quando observamos nas demais cidades, há julgamento, há aparição na mídia, como foi o caso de Vitória, no Espírito Santo. Talvez, e possivelmente, o tráfico já tenha até mesmo corrompido a própria mídia, e como todos sabemos, se um Estado detém o poder da mídia, estamos numa ditadura disfaçada, mesmo que ela seja comandada por milícias e bandidos.

Sinceramente, isso é muito triste, e isso pode se alastrar por todo o país, como aconteceu na Itália, se não tomarmos alguma atitude, matando mais gente inocente e não-envolvida com o crime, moradoras ou turistas daquela cidade.

É, prefiro continuar não jogando War.


Veja também Arnaldo Jabor sobre Tropa de Elite no caderno 2 do Estado de São Paulo

Monday, October 22, 2007

O PT ESTÁ VENDENDO O PAÍS!

Leilão de rodovias federais.

Ainda bem!

Estaremos melhor quando todo bem público (sem seguir a definição usada na Economia, apenas uma referência ao "dono" do bem) deixar de ser administrado pelos políticos brasileiros. Pelo amigos dos políticos brasileiros. Pelos brasileiros. Nada como vender tudo aos europeus. Darwin puro: eles, europeus, se adaptaram melhor à economia mundial, aos mercados abertos, à globalização. É por isso que têm a renda per capita que têm, comercializam o quanto comercializam, têm o capital humano que têm etc. Mesmo se controlarmos pelo tempo que existem ainda aposto neles (alguém poderia renascer a convergência de Solow argumentando que o longo prazo ainda não chegou!). E mesmo se os dados me contradizessem eu ainda afirmaria que eles se adaptaram melhor. E, por Darwin, quem não se adapta tende a morrer mais facilmente.

Ainda bem! Quem sabe os brasileiros mais bem adaptados aos tempos modernos sobrevivam, como prevê a teoria!?

Mais bem adaptados que os europeus são os americanos. Eles batem os europeus em todos os quesitos acima. Os europeus tendem a morrer! É isso! Os protecionistas tenderão a morrer. Os desenvolvimentistas tenderão a morrer. Os keynesianos tenderão a morrer. Os "Caros Amigos" tenderão a morrer. O Paulo Henrique Amorim tenderá a morrer. A Marilena Chauí tenderá a morrer. O BNDES tenderá a morrer. E com ele todos os projetos de valor zero. A Lei Rouanet tenderá a morrer. O cinema-repentista-cordelista-rapadura-da-Petrobras tenderá a morrer. E com ele o Suassuna e o apoio ao lula-molusco dos nossos artistas de novela, nossos "intéléquituais".

Não vou discutir a privatização. "Privatização: discutir mais o quê?". Mas é de rachar o bico a mais-nova-contradição-do-PT-de-todos-os-tempos-da-última-semana. Usou retórica barata, própria aos imbecíllis, ao falar da "venda do patrimônio" nas privatização como bandeira anti-PSDB nas eleições, mas fez tal qual. O que dizer aos eleitores enganados? Por que não se renderam antes à lógica?

No final das contas, o que importa é que Darwin matará a todos.

Original em: http://liberos.blogspot.com/2007/10/o-pt-est-vendendo-o-pas.html

Saturday, September 15, 2007

Para dizer que não falei de coisas boas...

Lendo no site da BBC, noto uma importante notícia sobre a pobreza brasileira: o rendimento do pobre em 2006 é o maior em dez anos, isso quer dizer que o pobre conseguiu recuperar o poder aquisitivo que fora perdido durante o período de 1996 a 2006.

"O rendimento médio mensal dos trabalhadores que estavam na metade de baixo da pirâmide foi de R$ 267,00 em 1996, R$ 257,00 em 1999 e R$ 293,00 em 2006.

Na média de toda a massa de trabalhadores, incluindo os que ganham mais, o rendimento do ano passado é o maior desde 1999, mas ainda é inferior ao de 1996, início do período escolhido pelos pesquisados do IBGE para a comparação.

A série mostra que o rendimento médio mensal real do trabalho de pessoas com mais de 10 anos alcançou um pico em 1996, quando era de R$ 975,00. Começou a cair desde então, ficou estável entre 2003 e 2004 e começou a subir a partir de 2005.

Entre 2005 e 2006, passou de R$ 824,00 para R$ 883,00, uma alta de 7,2%. Somando os dois últimos anos, o aumento é de 12,1%.

“O ganho real do salário mínimo de 13,3% em 2006 frente a 2005 foi um dos fatores determinantes para o resultado observado em termos de crescimento dos rendimentos médios de trabalho no período”, diz o relatório."

Além disso, a Pesquisa por Amostragem de Domicílios apresentou uma redução do índice de Gini, o que mede a concentração de renda.

"O índice de 0,541 da distribuição de rendimentos de 2006 é o menor desde 1981, “mas ainda indica forte concentração dos rendimentos de trabalho”."

Ou seja, apesar de toda a robalheira, apesar de todos os problemas internos referentes a corrupção, a economia brasileira vai bem, obrigado.

Uma questão importante que surge é: e a eficiência do processo?! É boa ou ruim?! Segundo a coordenadora do IBGE, Márcia Quintslr, temos que "recuperação do rendimento para as pessoas com salários mais baixos "decorreu, entre outros fatores, dos diversos aumentos reais do salário mínimo observados no período". Indagada se esses resultados teriam relação com os benefícios do programa Bolsa Família, ela lembrou que esses dados se referem ao rendimento do trabalho, mas admitiu que os efeitos indiretos do programa na economia podem ter contribuído para o resultado."

Será?!

Wednesday, September 5, 2007

As “MSIs” Estatais (e com muito mais cacife)

O que podemos esperar de um ambiente de juros internacionais baixos por longo período, grandes players com câmbio desvalorizado artificialmente, o maior deles com déficit em transações correntes crescente, acúmulos gigantescos de reservas e preço do petróleo em alta? E se um dos maiores acúmulos de reservas vier de uma ditadura? Lembrando ainda que a Opep não é formada por exemplos de democracia.

Deveríamos acreditar, no mínimo, em grandes mudanças estruturais em todo o mundo. Economistas de boa estirpe, que levam mais a sério a escassez, já antecipam uma nova deterioração das finanças mundiais. A atual crise no mercado de crédito imobiliário parece “fichinha” perto do que pode dar as caras nos próximos anos. Estou falando dos Fundos de Riqueza Soberana (Sovereign Wealth Funds), constituídos por capital estatal, sendo boa parte formada por reservas internacionais acumuladas nestes anos de farto influxo de capital em países emergentes. E os problemas não provem apenas de quem investe este dinheiro.

Se no Brasil já discutimos o custo de oportunidade de se acumular mais que R$ 150 bilhões em reservas, imaginem países como China e Japão. Lá, o necessário para dar credibilidade e “colateral” aos investimentos estrangeiro já passou do ótimo. Era de se esperar um apetite por retornos maiores que 5% ao ano. Segundo estudo do Morgan Stanley, em 7 anos, estes fundos estarão movimentando mais de US$ 10 trilhões, muito além do movimentado por hedge funds ou fundos de private equity.

Sabemos que governantes têm objetivos (políticos) que diferem, em muitos casos, dos objetivos de um acionista “privado”. Usar (desperdiçar?) bilhões de dólares em investimentos externos podem trazer instabilidades preocupantes e de repercussões mundiais, dada esta divergência de escopo. Podemos imaginar ofertas hostis de fundos russos por empresas norte-americanas. Sauditas majoritários em empresas britânicas. Apesar de fantasioso, petrodólares da Venezuela tentando comprar petrolíferas texanas!

Não é de arrepiar a possibilidade de estatização dos meios de produção pela própria via capitalista? Muito alarmismo? Não sei. Afinal, o que aponta para uma reversão destes fatos? Os grandes acúmulos de reservas, que abastecem estes fundos, vêm tanto do alto consumo norte-americano quanto da política cambial dos acumuladores. Apesar da crise atual, dados do Departamento de Comércio dos EUA mostram que os gastos do consumidor subiram mais do que o esperado, em julho. Se a percepção for de que a restrição de liquidez é passageira e rápida, o padrão de consumo não tem porque mudar. Se não bastasse, a Ásia parece ter retornado à era mercantilista após a crise de 1997 – para mim, uma lição mal aprendida – e nada a faz mudar de curso, muito menos a pressão de Washington. Se vier, será lenta e quando convier.

Vindo de governos, minha máxima diz que, cedo ou tarde, as coisas começarão a feder. Apesar de cético quanto à efetividade da regulação financeira, acredito que este seja o caminho menos doloroso para este tipo de capitalismo de Estado crescente. Em se tratado de governos, caberia a órgão supranacionais (FMI ou BIS) colocá-la em prática. Assim como fundos hedge, os SWF são pouco transparentes em suas estratégias e em sua administração. Apesar disso, vale ressaltar que alguns destes fundos optam por não ter direito a voto na participação das empresas adquiridas, como foram os casos da China no Blackstone e o Government Investment Corporation, de Cingapura, em alguns de seus negócios recentes.

Mesmo assim, dá-me calafrio: falta de transparência mais governo mais trilhões de dólares. Ficar na mão do governo brasileiro já nos traz problemas suficientes. Aumentar a exposição a desvarios chineses, russos já não seria demais?

Saturday, August 25, 2007

Os Fundos Soberanos Representam uma ameaça ao Liberalismo e a Lógica de Mercado?

O atual arranjo da economia global traz um novo desafio para o liberalismo: o que fazer com o gigantesco acúmulo de divisas dos grandes exportadores, os chamados "fundos soberanos"? Países como China, Japão, Cingapura e demais tigres asiáticos e países exportadores de petróleo começaram a diversificar suas aplicações e agora seus fundos estão comprando empresas privadas de outras nações. Imaginem o governo Chinês comprando 51% das ações da Vale do Rio Doce!!! Seria uma reestatização, como querem os comunas e demais vermelhos, porém, servindo aos interesses do governo Chinêêês (vermeeeeelho), ao invés do brasileiro, e em detrimento a eficiência e aos interesses dos demais acionistas (a maximização do lucro). A atual arquitetura financeira global está abrindo uma brecha para que o intervencionismo se instale de maneira assustadora. Quem me garante que a eficiência do mercado, a maximização do lucro, não estará sendo trocada por interesses políticos? A pergunta que segue é: Esses fundos devem ser regulados? O FMI e o BIRD têm legitimidade para regulá-los? Esses fundos deveriam ser geridos por administradores ou políticos? Segue abaixo link com reportagem sobre o tema.

http://g1.globo.com/Noticias/Economia/0,,MUL91720-5599,00.html

Wednesday, August 15, 2007

It´s the economy, stupid!

Em texto intitulado Os múltiplos de Lula-Molusco (sim, sempre ele! Como bom brasileiro, não desisto nunca!) expus meu theta. Além de partir da (velha) premissa politicamente incorreta (e, por isso, esquecida pela imprensa) de que o lula só está aí – e ainda – porque é grande o número de brasileiros que não sabem votar, apresentei minha máxima:

“Eu, com minha máxima infalível (recomendo... é imbatível e poupa tempo) de que tudo que é público dará m_r_a cedo ou tarde...”.

No caso norte-americano ela é válida. Aliás, especialmente mais válida (!) que em países como o nosso, onde o estrago que o governo pode causar, em termos monetários, é relativamente menor que lá. E a explicação para esta guinada à esquerda nos EUA decorre dela, da minha máxima. Em certo momento a revista afirma:

“Even Mr. Bush's apparently oxymoronic trust in ‘big-government conservatism’ is shared in practice by most Republicans in Congress” (negrito por minha conta).

Países que brincam de grandes governos e grandes intervenções estatais, cedo ou tarde, pagam o preço do erro. Os países escandinavos, neste caso, não são exceções, haja vista as crises do início da década de 90 e as alterações nas tetas mamáveis (sugiro o texto do economista sueco Stefan Karlsson). Com os norte-americanos não será diferente. O problema virá da incapacidade dos governantes de sustentar a economia, tendo em vista que não cabe a eles sustentar economia alguma, e da percepção errônea do eleitorado de que lhe é de direito ser sustentado pelo Estado!

Com isto, teremos ondas de protecionismo, “nossa indústria deve ser protegida” ou “olha quanto emprego e renda nós geramos” (quanto emprego e renda não é gerado no tráfico de drogas, ou mesmo na prostituição de menores, e nem por isso os protegemos); distribuição de dinheiro público a rodo no health-care universalizado (o problema, acredito, não está no health-care em si, mas no universalizado); invasão dos verdes, com imposição de maiores restrições à construção e à exploração do meio-ambiente (seguindo a máxima, provavelmente será feita através de taxação, ou mesmo por impedimento, e não por concessão e regulamentação da exploração); leis de “proteção” ao trabalhador e ao desempregado (engraçado, na escolha entre trabalhar-ou-não levamos em conta salário versus ganhos de utilidade do lazer... se te pagam pelo lazer, o que vocês acham que acontece com a quantidade de trabalho ótima? Pois é!) etc.

Já conhecemos os perdedores: os outsiders do mercado de trabalho, especialmente os menos produtivos, o consumidor, que passará a pagar mais caro pelos produtos protegidos (nosso nacionalismo deveria ir tão longe quanto nosso bolso permitisse?!), os acionistas das empresas (cidadãos comuns como as velhinhas da Flórida, do grandes fundos de pensão), e as futuras gerações (coitadas, não votam!). Está comprado o ticket para o caminho da servidão.

Sunday, August 12, 2007

E a América?!

I would like to buy a 'damburger'...
[Steve Martin, in Jacques Clouseau - The Pink Panther]




Se na América Latina há o fenômeno de 'esquedalização' do poder, como na Bolívia, Venezuela, Brasil, Argentina, para dizer os principais, e nos Estados Unidos?!

Na capa de The economist, de 12 de agosto de 2007, temos uma parte da resposta: Is America turning left? Há uma boa discussão apresentada pela publicação britânica a respeito da recente política americana, como o papel de George Walker Bush de ser o homem-ponto-de-inflexão na lendária disputa eleitoral entre os ditos liberais democratas e os conservadores republicanos, com consequencias não-observadas ex-ante:

In foreign policy, the man who sought to transform Iraq, the Middle East and America's reputation has indeed had revolutionary effects, though not the ones he was aiming for.

Primeiramente, recebemos essa chamada: Bush é o culpado. Sua sede de eliminar democratas do poder parece ser insaciável ou algo fora do comum, entre os consevadores:

it is easy to see why Mr Bush and his strategist, Karl Rove, dreamed of banishing Democrats from power for a generation.

The easy scapegoat is Mr Bush himself. During his presidency, the words Katrina, Rumsfeld, Abramoff, Guantánamo and Libby have become shorthand for incompetence, cronyism or extremism.

Mas não culpemos o pobre Bush Jr! Aliás, ele não é culpado por toda a ingerência de seu partido, segundo The Economist:

Yet this President Bush is not a good scapegoat. Rather than betraying the right, he has given it virtually everything it craved, from humongous tax cuts to conservative judges.

Many of the worst errors were championed by conservative constituencies. Some of the arrogance in foreign policy stems from the armchair warriors of neoconservatism; the ill-fated attempt to “save” the life of the severely brain-damaged Terri Schiavo was driven by the Christian right. Even Mr Bush's apparently oxymoronic trust in “big-government conservatism” is shared in practice by most Republicans in Congress. [...] Now the American people seem to be reacting to conservative over-reach by turning left. More want universal health insurance; more distrust force as a way to bring about peace; more like greenery; ever more dislike intolerance on social issues.

Sim, a America está nos seguindo. O continente americano está virando a esquerda, como um todo. Mas não pense que essa maionese é consistente ou homogênea. A esquerda americana apresenta algumas peculiaridades, assim como as nossas, na América Latina. Lula, apesar de gostar da política 'salve-os-pobres', não é igual a Chavez, muito menos parecido com Moralez, ou o lendário Fidel (que, diga-se de passagem era mais amigo dos hoje Democratas brasileiros baianos que do próprio PT paulistano; aliás, democratas para o ex-PFL é brincadeira de mal-gosto, para os democratas, claro).

Nos Estados Unidos, The economist diz que:

Mrs Clinton might be portrayed as a communist on talk radio in Kansas, but set her alongside France's Nicolas Sarkozy, Germany's Angela Merkel, Britain's David Cameron or any other supposed European conservative, and on virtually every significant issue Mrs Clinton is the more right-wing. She also mentions God more often than the average European bishop.

E se isso é bom ou mau para o mundo, prossegue dizendo:

The Democrats are moving to the left not just on health care, but also on trade; and a more protectionist America would soon make the world's poor regret Mr Bush's passing. Similarly, many Europeans may yearn for a less interventionist America; but an isolationist superpower could be much more frightening.

A questão que se coloca é simples e ao mesmo tempo complexa: o que é melhor para o mundo? o que é melhor para os EUA? Há diferença ou a lendária frase de Smith estaria errada: o bem individual nos leva ao bem-estar coletivo?

Thursday, August 9, 2007

Pau na mesa, po!


Na minha época de ensino médio, eu achava que era errado a PM ser militar, achava que um militar tratando com o público era apenas coisa de Brasil, de fato, em nenhum país do mundo há essa alegoria. Eu achava também que era errado os militares ocuparem o DAC por completo. Principalmente quando ocorreu o trágico acidente de Congonhas, o Congonhas I, de 1996, até então o pior acidente aéreo do Brasil. A vizinhaça sofreu com o caso, e naquela época, tinha viajado para a capital paulista e, pequeno, eu já vislumbrava um acidente com os prédios, "Como eles conseguem se desviar dos prédios", perguntava eu na minha adolescência ao meu avô.

Pois é. Passaram-se 11 anos. Muita gente poderia ter sido poupada se um novo aeroporto fosse construído nesse ínterim, ou se as principais operações fossem desviadas para o bem equipado aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Faltou vontade.

Falta-me vontade também em aceitar que o Lula não vislumbrava isso. Como também me falta vontade em aceitar que esse texto é da sua autoria, contudo. É digno de um especialista no setor. Se bem que, apesar dos méritos, há seus deméritos ao redigir esse texto. E não falo de comprovar sua sabedoria do setor aéreo e sim informar o que sabia.

Faltam os elementos de distensão do caos aéreo no Brasil. Cadê os controladores e o dilema da carreira ser militar e civil? a falta de infra-estrutura dos aeroportos? onde está o problema de a ANAC fazer concursos que reúna pessoas competentes?!

Veja bem, eu não sou contra a desregulamentação, nem a favor completamente. Mas no que envolver assuntos de importância, como vidas humanas, devemos colocar pessoas competentes e em quantidade suficiente para isso. Note que:

"É preciso chamar as pessoas responsáveis e descobrir quais são as causas do problema do tráfego aéreo. Talvez a desmilitarização seja mais custosa, mas é necessário verificar a questão da eficiência" In: BBC Brasil


"O problema é a capacidade do governo de reagir com competência a uma situação de crise em um setor que, em última análise, é responsabilidade dele" In: BBC Brasil


Não basta selecionar quem sabe mais direito administrativo, ou português para selecionar um funcionário públioc para a ANAC. Não basta sabatinar um diretor da ANAC para saber se é ou não qualificado para o cargo, caros senadores. Tem que ter conhecimento! Conhecimento de quem é culpado, de quem manda tantos vôos para Congonhas, de saber quantos controladores temos e quantos trabalham, de quantas horas eles estão ou não trabalhando... isso tem que ser rigorosamente seguido, pois um presidente, de fato, não precisa saber de nada, mas que ele, no mínimo, coloque pessoas qualificadas para informarem a ele a respeito para tomar decisões acertadas.

O Lula comete nisso alguns erros crassos. Erros de administração. Noutro dia, estive lendo a BBC Brasil, e encontro uma de suas falas quando esteve em Honduras, por sinal, o primeiro chefe de governo em Honduras em mais de 100 anos de relações diplomáticas entre os dois países.

Quando comentava a respeito da cooperação dos dois países na áerea de combustíveis, ele soltou a frase:

"A Petrobras é uma empresa pública, com ações na bolsa, tem uma certa autonomia, mas apenas uma certa autonomia, porque quem indica a direção da Petrobras é o governo. Ainda bem" [Lula]

Não, Sr Presidente. Não é 'Ainda bem'... é mal ouvir isso, pois ela está sendo gerenciada, mais uma vez por mais um incompetente que seu partido indica. Ou da base aliada e mesmo que fosse ainda da oposição a coisa estaria preta. Mais uma vez, a ditadura da burocracia manda e ainda querem uma revolução bolchevique, dizem os nossos ultra-esquerdistas. Imaginem só darem os cargos de presidente do BC a um burocrata... viraríamos uma URSS, aliás, não só temos uma bebida muito parecida aos nossos amigos russos, como também nossa ditadura também os amava... Há quem diga que mais comunistas que nossa revolução de 64, apenas o PCUS [Partido Comunista da União Soviética].

É por isso que a culpa é do governo. É culpa da burocracia que ele cria e alimenta. É um monstrinho que criamos desde Getúlio Vargas, saímos do Patrimonialismo, quando o que importava era os conchaves entre políticos e a parentada ligada a ele; caímos na burocracia. Não na de Weber, mas em algo deturpado e instalado por Vargas. Alimentamos isso. Alguns tentaram algo como o gerencialismo, como o presidente anterior a Lula, mas isso foi em vão. Não porque o Lula não queira, pois só tapados defenderiam algo que é tão nocivo para o Brasil como nossa burocracia soviética, mas é que se tornou algo tão arraigado, tão forte o nosso monstrinho, que é difícil de matá-lo.

A própria burocracia se alimenta. Se há indicados no alto da empresa publica, é natural que esse indique pessoas de sua 'confiança' para baixo. A burocracia também tem que ser destruída totalmente, pois se não, ela renasce com toda força. Se não ha indicação lá em cima, colocando pessoas competentes, é natural, num país como o nosso, em que haja indicação de pessoas estritamente 'confiáveis' nas bases inferiores do escalão do serviço público. Parece ser a regra.

Vivemos a ditatura dos burocratas, mas isso, eu não vislumbrava no meu ensino médio. Diziam meus professores que éramos o terceiro mundo subdesenvolvido, o 'sul', que caminhava para o primeiro mundo. Mal sabia eu que já estávamos no segundo mundo. Agora é sentar e esperar que venha um Bóris Yéltsin...

Páu na mesa!!!!

Wednesday, August 8, 2007

Viva a Sétima Arte!

Aceito minha inabilidade de criar, mas reconheço minha capacidade de reproduzir e acomodar idéias aparentemente distantes. É um processo fajuto de criação, já que meu único mérito foi possuir esta sinapse na caixola (e provavelmente não é minha exclusivamente). Batido o cartão da prolixidade, atendo ao pedido de concisão do nosso amigo ítalo-russo Turattovsky!

Tive o prazer de assistir à obra-prima de Akira Kurosawa, Ikiru, ontem à noite. "Mas o que isto tudo tem a ver com estatais, sinapse e concisão, pô?". Fui dormir pensando no que escreveria na minha parte sobre as Fundações estatais. Admito que não é preciso ter uma rede de sinapses muito vasta para perceber a ligação entre o filme e as discussões feitas até aqui (todas!), assim como sei que a parte da concisão ainda não chegou. Vamos lá.

O filme, Viver em português, mostra a vida de Kanji Watanabe através de sua morte e flashes de acontecimentos passados. Kanji é um funça idoso com câncer no estômago em busca de significado para sua vida, perdida, entre outros lugares, dentro do seu mundo de comodidade e estabildiade. Logo nas primeiras cenas o estereótipo da repartição pública típica é apresentado ao espectador, com pilhas e pilhas de papel sobre as mesas, o chefe (o próprio Kanji) carimbando ad nauseam etc. Em uma destas cenas, um grupo de mulheres aparece reclamando de um esgoto a céu aberto, ou algo do gênero, e um funça de cada repartição repassa as cidadãs para outra repartição, supostamente a responsável, onde o processo se repete n vezes até elas se enfezarem, o que obriga o último funça recomendar que a reclamação seja feita por escrito.

Parte pelo todo, nossas estatais, fundações, sociedades mistas, autarquias... em suma, a burocratada toda está como o personagem de Kurosawa e a mais-nova-analogia-pra-ignorante-entender-e-regurgitar-da-última-semana do vosso("nossa, que anti-democrático!") presidente lula-molusco: com câncer e em busca do significado de sua existência.
(o caos aéreo) "É como uma pessoa com a qual a gente está convivendo todo dia, não aparenta nada e vai ver está com metástase e ninguém viu o câncer. Não estava nas pautas das eleições, a imprensa não fez perguntas antes, todos foram pegos de surpresa - disse Lula, segundo um participante da reunião". (Engraçado...em 2002 o lula-molusco publicou no Gazeta Mercantil um texto de título "Morte anunciada do transporte aéreo" entrem no link ao lado e desapreciem com desmoderação - sim, estas palavras existem!)

Por isso, peço cuidado a vocês meus amigos, que tanto anseiam por um lugar na aparente festança do gasto corrente. Como sabemos, as células ainda sadias, mas perto das cancerígenas, podem se infectar. E aí a tudo acaba como nestes filmes livres de happy-endings hollywoodianos.
Arbeit macht frei, apesar dos nazistas terem queimado a expressão!

p.s.: neste post, fiz como o Paulo Francis quando estava entediado com a discussão, no Connection original. Ele escolhia a primeira arte. Eu optei pela sétima!

Saturday, August 4, 2007

E viva as estatais?!


Estamos assistindo a derrota
de todas as tentativas de melhorar
esse país

[Arnaldo Jabor]


Essa é a pergunta que ponho, antes de tudo! As fundações são entes da Administração Pública Indireta, aquela que reúne todos além de Ministérios e secretarias vinculadas a Presidência da República, isso a nível de União; como autarquias (a exemplo do Banco Central e Agências reguladoras), as Sociedades de Economia Mista (as SA do governo, como a Petrobrás e o Banco do Brasil), as empresas públicas (como a Caixa Econômica) e as fundações (como a maioria das Universidades Públicas). Possuem personalidade jurídica própria (o que quer dizer que se for processada, não tem a ver com o governo central diretamente, diferente dos Ministérios, que não possuem pessoa jurídica própria). As estatais são aquelas entendidas como as Sociedades de Economia Mista e empresas públicas. Eu, na minha ignorância do Direito Administrativo, pergunto: como, uma pessoa jurídica própria, como um Banco do Brasil, uma Caixa Econômica vai ser 'vigiada' por uma OUTRA entidade de personalidade jurídica que não na Administração Pública Direta?! Eu não consigo enxergar isso... mas isso é uma dúvida que vem do Direito Administrativo... com a palavra, a nossa mademoiselle Martinica! =)

Segundo, e agora puxando para a economia: se assim for, se isso tudo for possível, cadê a autonomia que um Banco, como o Banco do Brasil deve ter para gerenciar os seus recursos?! Até quando teremos que amarrar as poucas empresas estatais que funcionam a um grilhão forte que as segura de se lançar para o exterior, diminuir e enxugar o quadro de funcionários, elevar a produtividade nas agências, usar equipamentos modernos... até quando teremos que passar a vergonha de ter um Banespa privatizado e com um número de 13.000 desempregados, desde o ocorrido em 2000?! Está certo que se tirarmos a metade como aquelas ditas 'injustiças' contra o processo capitalista concentrador da nossa extrema esquerda, sobram ainda metade - 6.500 funcionários demitidos por ineficiência, e olha que estou sendo generoso com a magnitude das 'injustiças'.

Isso é, uma 'fundação' como essa apenas atrapalharia quem 'ainda sabe', quem ainda tem conhecimento para gerenciar um banco, uma petrolífera... querem criar agora o CAOS nas estatais: colocar uma ANAC para mudar tudo de lugar: 'olha, agora, a avião é civil, aquele órgão que se dizia civil (DAC), que não fazia nada, não vai mais fazer diferença, agora somos nós que mandamos!', os militares, quietinhos só esperam, 'deixa eles, deixa eles se virarem sozinhos...', aí vem a Ministra e diz, 'relaxa e goza', e ninguém sabe de quem é a culpa, sabe porque?! Porque criaram uma burocratizaçao monstro para fazer um serviço que já estava sendo feito por gente com um certo conhecimento com dificuldade... é aquela história: 'muita ajuda, atrapalha', principalmente se for de um bando de gente que não tem know-how para isso... e ninguém vê que isso está acontecendo, nem a esquerda, nem a dita direita! Ninguém está nem aí para a estrutura organizacional... dane-se! Entra um governo, cria uma agência... entra outro, desafaz a agência e melhora um pouco, mas se continuam as deficiências! Isso lembra um certo dia, um amigo que foi ao médico e perguntou para o Doutor o que era bom para ele acabar com o ronco, que era escutado até a sala dele! Aí, o Doutor disse que era um sono mal dormido e isso se resolvia 'colocando uma vaca, um galo, um coelho, um papagaio na sala'... depois de uma semana, vem o meu amigo e diz para o doutor: '- Doutor, minha vida virou um inferno, se antes meus sonos eram acompanhados de ronco e mal dormidos, agora, não durmo!', então o Doutor recomendou: 'então, suspende o medicamento, tira todos os animais'... na outra semana, chega ele feliz da vida para mim e diz: 'o Doutor é um gênio, voltei a dormir'.

Assim é a filosofia de nossos políticos: criamos fundações estatais para resolver as fraudes no BB, criamos a ANAC para resolver o porblema aéreo; se não der certo, extingui tudo... aliás, eu queria criar também uma fundação, a Fundação de controle do poder legislativo!



Comentário do Jabor sobre os políticos.

E VIVA AS FUNDAÇÕES ESTATAIS!!!

Em meados de julho, o ministério do planejamento enviou ao Congresso Nacional projeto de lei para a criação e regulamentação das Fundações Estatais. Criadas para gerenciar determinados setores do serviço público de forma mais eficiente, essa promete ser a próxima fonte de discordância entre o governo ex-vermelho-mas-ainda-comuna e a esquerda-retrógrada-corporativista-ainda-vermelha-mas-nem-por-isso-de-oposição. Segue trecho retirado do site do ministério com detalhes desse projeto:


1 - A Fundação Estatal está dentro da estrutura do Estado. É uma categoria jurídica da administração pública indireta, ao lado das autarquias, autarquias fundacionais e empresas estatais. É um modelo próprio para a atuação direta do Estado em setores em que for considerada importante a prestação de serviços pelo Estado, especialmente nas áreas sociais.


2- A Fundação Estatal, assim como todas as outras entidades públicas, somente poderá contratar via concurso público.


3- Os empregados estatais contratados pela Fundação Estatal terão segurança no emprego, nos termos da CLT e a acordos coletivo. Somente serão demitidos quando houver motivação comprovada, averiguada em processo administrativo.


4- A fundação estatal poderá remunerar seus empregados estatais com salários compatíveis com os de mercado. Os servidores cedidos à fundação estatal poderão receber uma complementação salarial para equiparar o seu salário aos dos empregados estatais.


5- A Fundação Estatal estará sujeita aos mesmos controles das demais entidades da administração pública indireta: supervisão ministerial, controle da CGU e controle do TCU. Esses controles serão ainda melhores em vista das informações disponibilizadas no contrato estatal de serviços firmado pela Fundação Estatal com seu órgão supervisor. O contrato estabelece quais os resultados que a Fundação deve alcançar.


6- Em respeito ao disposto na Constituição Federal, todos os procedimentos de compras e de contratos da Fundação Estatal deverão observar as regras públicas para licitação e contratos. Ela poderá ter, no entanto, um regulamento próprio, que já está previsto, inclusive, no art. 119 da Lei 8.666/93.


7- Não poderá ser criada fundação estatal para realizar a gestão de outros órgãos e entidades públicos, ou seja, como “entidade de apoio”. A fundação estatal será criada para exercício de atividades-fim, em áreas como saúde, cultura, desporto, assistência, dentre outras.


8- Este será o primeiro modelo jurídico da administração pública em que a sociedade vai participar do sistema de governança da entidade. A fundação estatal terá um Conselho Social, de natureza consultiva, composto por representantes da sociedade civil, que elegerá um membro para participar do Conselho de Administração da Entidade, com direito a voto.


9- A Fundação Estatal está fora do Sistema de Administração Financeira do Governo Federal,SIAFI. A Fundação Estatal é um ente público de direito privado e não recebe recursos orçamentários do Governo Federal, como as empresas estatais. Por isso observa as regras de contabilidade dos entes de direito privado (Lei 6.404/76), que são incompatíveis com as regras do SIAFI.


Repercussões e mais detalhes:

http://www.fundacaoestatal.com.br/

http://www.planejamento.gov.br/gestao/conteudo/noticias/znoticia.asp?Cod=1715

http://www.cut.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=11741&sid=21

http://www.pstu.org.br/editorias_materia.asp?id=7112&ida=0



Leia um trecho do texto sobre as fundações estatais retirado do site do PSTU e conclua se dá pra levar esses batráquios a sério:


“Mas além de ser um ataque aos direitos, à estabilidade e à organização do servidor, o projeto também favorece o aumento do assédio moral no ambiente de trabalho. Isso porque serão institucionalizadas as avaliações de desempenho, que servem como instrumento para as chefias pressionarem e assediarem moralmente o servidor. Parte do salário dos servidores seria atrelado às avaliações e o próprio repasse às fundações atenderia critérios de metas e resultados, como na iniciativa privada.”


Busca por meritocracia, gerenciamento eficiente e produtividade viraram “assédio moral”. Hilário!!!!!!!


E viva a esquerda vagabunda e organizada que só conhece a palavra esforço quando se trata de defender privilégios.

Wednesday, August 1, 2007

Prenúncios do Apocalipse!

Bem, a hora que eu começar a falar do Estado mesmo, vocês vão dizer que sou mais anarquista que qualquer outra coisa. Mas vamos por partes, Loyola. Manter o nível alto das receitas não me parece ser tarefa difícil, a carga tributária violenta não só o contribuinte, pessoa física, mas também pessoa jurídica. Isso é ruim?! É! Temos uma das maiores cargas tributárias do mundo e sem o aporte de serviços welfare-state que a Dinarmarca (a maior carga tributária) tem. Mas eles não tem uma dívida interna tão grotesca como a nossa. Não porque ela seja grande, mas é porque o mundo ainda duvida da gente pagar isso. Se eles duvidam, o arrocho é necessário para sinalizar que estamos fazendo algo. A entrada do Estado nos negócios pode ter um efeito devastador na economia, como uma desaceleração do crescimento, mas vamos ser mais realistas! A falta de crescimento se deve no Brasil mais a falta de uma infra-estrutura adequada para a produção e o movimentar das engrenagens da economia, na minha modesta opinião. É o que aliás, falta muito nesse país, transportes descentes para a locomoção de pessoas e de cargas! Mas disso, eu quero tecer com cuidado no próximo encontro...

No que tange ao nível de despesas e o cerne de sua polêmica, Loyola, eu acredito no seguinte: todo mundo quer ser estatizado. Eu quero, tu queres, ele quer, nós queremos, vós quereis, eles querem (e como querem, nossos deputados e senadores!), mas vamos ao que interessa: se o nível de despesa fosse compatível sequer com o atendimento descente do público com o privado, eu aceitaria esse estupro fiscal, o problema, como disse, é que não é! O pobre quando vai a fila do hospital implora: 'Dotô, DoTô, por favor, me atenda, minha mulher vai ter um filho no corredor do hospital e vai ter por cesária, o seu amigo médico nos disse!', o 'Dotô' chega e diz: 'Calma, calma, não priemos pelo pânico, o brasileiro está não só acostumado com as infecções hospitalares, mas com todo o caos da próxima iniciativa privada, veja só os aeorportos e as suas filas nos guichês...', mas 'Dotô', diz o pobre pobre, 'eu não tenho tempo sequer para viajar, quanto mais dinheiro, o que me interessa é minha mulher e filho, atenda-me', 'pois é', meu filho, 'mas o equipamento novo que encomendamos está no Porto de Santos preso pelos portoviários, na fila do check-in, esperando por médicos competentes para utilizá-lo...' pergunto, a culpa é de quem?!

Tuesday, July 31, 2007

Prenúncios do Apocalipse!

Meus caros!

Comecemos pelo que urge. Pelo que aflige a todo economista de boa estirpe! A fome do Estado!
(Entrada triunfal! São as trombetas que acompanham o título!)

Temos no jornal Valor Econômico de hoje (31/07):

"Superávit primário do governo central cresce 13,4% no 1º semestre. Despesas e receitas registram, no período, aumento maior que o do PIB" .

Pra quem não sabe, governo central inclui Banco Central, Tesouro e Previdência. Dois fatos assustam: a velocidade do aumento das despesas foi 2,7% acima do PIB, e as receitas, em comparação ao produto nominal, cresceram 3%. Um alivía: a taxa de aumento das despesas é bem menor que do ano passado, mesmo período, que foi de 6,2%, um absurdo.

Não é à toa o crescimento pífio nos últimos anos. E não é a esmo a baixa proporção do middle market entre as empresas do país: informalidade ou Simples aos pequenos, "Bolsa TJLP", investimento direto lá fora ou escala para as grandes. Quem não ganha tratamento fiscal especial se vira como pode (e como não pode!).

O resultado primário até agora é de 3,6% do PIB, perto da nova meta (alterada seguindo os PPIs). Sinceramente, mantê-lo nos próximos anos será uma árdua tarefa, especialmente se as despesas continuarem neste rítmo. Isto porque não acredito que o lado da receita continue a cobrir os gastos. Não pelo aumento de tributos, pois níveis superiores seriam acompanhados de gritaria e possivelmente não passariam no Congresso; talvez pelo aumento da massa salarial e da lucratividade das empresas, quem sabe. Ou seja, dependemos do crescimento do país! Justamente o que vem sendo atravancado pelos pesados tributos! Estamos sinucados!

Por fim, polemizo! O destaque entre as despesas ficou para aquelas vinculadas ao mínimo (subiram extravagantes 19,2% em relação ao ano passado), despesas com abono salarial e seguro desemprego (16%). Mas, os gastos com salários do funcionalismo subiram para 4,51% do PIB. Mais ou menos o que o país gasta com educação! Podemos chamar isso de "Bolsa Classe Média"? Classe média funça, claro! Como Diogo Mainardi já nos alertara, a "luta de classes" (COMUNIIIIISTA!!!) no Brasil é entre nós e o Estado! Acho que é quase por aí: se trava entre burocratas (e agraciados com gorjeta pública) e classe média não-contemplada!
Nem a "zelite", constante nos discursos do lula-molusco, estão no segundo grupo - já que levam o seu via BNDES!

Seria uma espécie de estatização do indivíduo?
Quantos de vocês não querem ser estatizados?

p.s.: eu já levo o meu pro bolso! R$ 940,00 todo mês! Acumulando capital humano para ser mais um especulador - mal sabem eles! "Sincofanta" diria a professorinha do PSOL (partido do socialismo OU liberdade!)