I would like to buy a 'damburger'...
[Steve Martin, in Jacques Clouseau - The Pink Panther]

Na capa de The economist, de 12 de agosto de 2007, temos uma parte da resposta: Is America turning left? Há uma boa discussão apresentada pela publicação britânica a respeito da recente política americana, como o papel de George Walker Bush de ser o homem-ponto-de-inflexão na lendária disputa eleitoral entre os ditos liberais democratas e os conservadores republicanos, com consequencias não-observadas ex-ante:
In foreign policy, the man who sought to transform Iraq, the Middle East and America's reputation has indeed had revolutionary effects, though not the ones he was aiming for.
it is easy to see why Mr Bush and his strategist, Karl Rove, dreamed of banishing Democrats from power for a generation.
The easy scapegoat is Mr Bush himself. During his presidency, the words Katrina, Rumsfeld, Abramoff, Guantánamo and Libby have become shorthand for incompetence, cronyism or extremism.
Yet this President Bush is not a good scapegoat. Rather than betraying the right, he has given it virtually everything it craved, from humongous tax cuts to conservative judges.
Many of the worst errors were championed by conservative constituencies. Some of the arrogance in foreign policy stems from the armchair warriors of neoconservatism; the ill-fated attempt to “save” the life of the severely brain-damaged Terri Schiavo was driven by the Christian right. Even Mr Bush's apparently oxymoronic trust in “big-government conservatism” is shared in practice by most Republicans in Congress. [...] Now the American people seem to be reacting to conservative over-reach by turning left. More want universal health insurance; more distrust force as a way to bring about peace; more like greenery; ever more dislike intolerance on social issues.
Sim, a America está nos seguindo. O continente americano está virando a esquerda, como um todo. Mas não pense que essa maionese é consistente ou homogênea. A esquerda americana apresenta algumas peculiaridades, assim como as nossas, na América Latina. Lula, apesar de gostar da política 'salve-os-pobres', não é igual a Chavez, muito menos parecido com Moralez, ou o lendário Fidel (que, diga-se de passagem era mais amigo dos hoje Democratas brasileiros baianos que do próprio PT paulistano; aliás, democratas para o ex-PFL é brincadeira de mal-gosto, para os democratas, claro).
Nos Estados Unidos, The economist diz que:
Mrs Clinton might be portrayed as a communist on talk radio in Kansas, but set her alongside France's Nicolas Sarkozy, Germany's Angela Merkel, Britain's David Cameron or any other supposed European conservative, and on virtually every significant issue Mrs Clinton is the more right-wing. She also mentions God more often than the average European bishop.
A questão que se coloca é simples e ao mesmo tempo complexa: o que é melhor para o mundo? o que é melhor para os EUA? Há diferença ou a lendária frase de Smith estaria errada: o bem individual nos leva ao bem-estar coletivo?The Democrats are moving to the left not just on health care, but also on trade; and a more protectionist America would soon make the world's poor regret Mr Bush's passing. Similarly, many Europeans may yearn for a less interventionist America; but an isolationist superpower could be much more frightening.
5 comments:
Putz!! Só tem comunista nesse blog!! Olha o jogo de vocês:
http://www.youtube.com/watch?v=yfIpnd7wN8o
Abraços!
Antes de comentar, link interessante:
http://revistacult.uol.com.br/website/entrevista.asp?edtCode=4BB292BB-2D6D-4F39-8206-CDCE2F7B5FEE&nwsCode=F6F901D1-AD80-4EDD-AC85-48710EECED65
está explicado porque o Mainardi é como é! é meio economista, largou no meio! se nós somos o que somos, imagine metade disso! se bem que a metade dele é da LSE mas...
A América, principalmente a Latina, está virando à esquerda. Ou seria ao comunismo:
http://www.youtube.com/watch?v=yfIpnd7wN8o
Esse vídeo mostra o que o PT quer fazer com o Brasil. Abre o olho Don Scielo
Sobre o que comentei com o Don Scielo hoje, seguem três artigos do Ali Kamel a respeito dos nossos adoráveis professores de "história". Eu sei que é muita coisa pra ler, mas é indignante o que o MEC fez!
Abs
O que ensinam às nossas crianças
Artigo - Ali Kamel
O Globo
18/9/2007
Não vou importunar o leitor com teorias sobre Gramsci, hegemonia, nada disso. Ao fim da leitura, tenho certeza de que todos vão entender o que se está fazendo com as nossas crianças e com que objetivo. O psicanalista Francisco Daudt me fez chegar às mãos o livro didático "Nova História Crítica, 8ª série" distribuído gratuitamente pelo MEC a 750 mil alunos da rede pública. O que ele leu ali é de dar medo. Apenas uma tentativa de fazer nossas crianças acreditarem que o capitalismo é mau e que a solução de todos os problemas é o socialismo, que só fracassou até aqui por culpa de burocratas autoritários. Impossível contar tudo o que há no livro. Por isso, cito apenas alguns trechos.
Sobre o que é hoje o capitalismo: "Terras, minas e empresas são propriedade privada. As decisões econômicas são tomadas pela burguesia, que busca o lucro pessoal. Para ampliar as vendas no mercado consumidor, há um esforço em fazer produtos modernos. Grandes diferenças sociais: a burguesia recebe muito mais do que o proletariado. O capitalismo funciona tanto com liberdades como em regimes autoritários."
Sobre o ideal marxista: "Terras, minas e empresas pertencem à coletividade. As decisões econômicas são tomadas democraticamente pelo povo trabalhador, visando o (sic) bem-estar social. Os produtores são os próprios consumidores, por isso tudo é feito com honestidade para agradar à (sic) toda a população. Não há mais ricos, e as diferenças sociais são pequenas. Amplas liberdades democráticas para os trabalhadores."
Sobre Mao Tse-tung: "Foi um grande estadista e comandante militar. Escreveu livros sobre política, filosofia e economia. Praticou esportes até a velhice. Amou inúmeras mulheres e por elas foi correspondido. Para muitos chineses, Mao é ainda um grande herói. Mas para os chineses anticomunistas, não passou de um ditador."
Sobre a Revolução Cultural Chinesa: "Foi uma experiência socialista muito original. As novas propostas eram discutidas animadamente. Grandes cartazes murais, os dazibaos, abriam espaço para o povo manifestar seus pensamentos e suas críticas. Velhos administradores foram substituídos por rapazes cheios de idéias novas. Em todos os cantos, se falava da luta contra os quatro velhos: velhos hábitos, velhas culturas, velhas idéias, velhos costumes. (...) No início, o presidente Mao Tse-tung foi o grande incentivador da mobilização da juventude a favor da Revolução Cultural. (...) Milhões de jovens formavam a Guarda Vermelha, militantes totalmente dedicados à luta pelas mudanças. (...) Seus militantes invadiam fábricas, prefeituras e sedes do PC para prender dirigentes "politicamente esclerosados". (...) A Guarda Vermelha obrigou os burocratas a desfilar pelas ruas das cidades com cartazes pregados nas costas com dizeres do tipo: "Fui um burocrata mais preocupado com o meu cargo do que com o bem-estar do povo." As pessoas riam, jogavam objetos e até cuspiam. A Revolução Cultural entusiasmava e assustava ao mesmo tempo."
Sobre a Revolução Cubana e o paredão: "A reforma agrária, o confisco dos bens de empresas norte-americanas e o fuzilamento de torturadores do exército de Fulgêncio Batista tiveram inegável apoio popular."
Sobre as primeiras medidas de Fidel: "O governo decretou que os aluguéis deveriam ser reduzidos em 50%, os livros escolares e os remédios, em 25%." Essas medidas eram justificadas assim: "Ninguém possui o direito de enriquecer com as necessidades vitais do povo de ter moradia, educação e saúde."
Sobre o futuro de Cuba, após as dificuldades enfrentadas, segundo o livro, pela oposição implacável dos EUA e o fim da ajuda da URSS: "Uma parte significativa da população cubana guarda a esperança de que se Fidel Castro sair do governo e o país voltar a ser capitalista, haverá muitos investimentos dos EUA. (...) Mas existe (sic) também as possibilidades de Cuba voltar a ter favelas e crianças abandonadas, como no tempo de Fulgêncio Batista. Quem pode saber?"
Sobre os motivos da derrocada da URSS: "É claro que a população soviética não estava passando forme. O desenvolvimento econômico e a boa distribuição de renda garantiam o lar e o jantar para cada cidadão. Não existia inflação nem desemprego. Todo ensino era gratuito e muitos filhos de operários e camponeses conseguiam cursar as melhores faculdades. (...) Medicina gratuita, aluguel que custava o preço de três maços de cigarro, grandes cidades sem crianças abandonadas nem favelas... Para nós, do Terceiro Mundo, quase um sonho não é verdade? Acontecia que o povo da segunda potência mundial não queria só melhores bens de consumo. Principalmente a intelligentsia (os profissionais com curso superior) tinham (sic) inveja da classe média dos países desenvolvidos (...) Queriam ter dois ou três carros importados na garagem de um casarão, freqüentar bons restaurantes, comprar aparelhagens eletrônicas sofisticadas, roupas de marcas famosas, jóias. (...) Karl Marx não pensava que o socialismo pudesse se desenvolver num único país, menos ainda numa nação atrasada e pobre como a Rússia tzarista. (...) Fica então uma velha pergunta: e se a revolução tivesse estourado num país desenvolvido como os EUA e a Alemanha? Teria fracassado também?"
Esses são apenas alguns poucos exemplos. Há muito mais. De que forma nossas crianças poderão saber que Mao foi um assassino frio de multidões? Que a Revolução Cultural foi uma das maiores insanidades que o mundo presenciou, levando à morte de milhões? Que Cuba é responsável pelos seus fracassos e que o paredão levou à morte, em julgamentos sumários, não torturadores, mas milhares de oponentes do novo regime? E que a URSS não desabou por sentimentos de inveja, mas porque o socialismo real, uma ditadura que esmaga o indivíduo, provou-se não um sonho, mas apenas um pesadelo?
Nossas crianças estão sendo enganadas, a cabeça delas vem sendo trabalhada, e o efeito disso será sentido em poucos anos. É isso o que deseja o MEC? Se não for, algo precisa ser feito, pelo ministério, pelo congresso, por alguém.
ALI KAMEL é jornalista.
Livro didático e propaganda política
Artigo - Ali Kamel
O Globo
2/10/2007
Ainda os livros didáticos, um problema mais grave do que eu imaginava. Para 2008, o MEC me informa que já comprou mais de um milhão de exemplares do livro de História "Projeto Araribá, História, Ensino Fundamental, 8", a ser distribuído na rede pública a partir de janeiro. Para ser exato, 1.185.670 exemplares, a um custo de R$5.631.932,50. É agora o campeão de vendas.
Sem dúvida, o livro tem um pouco mais de compostura que o "Nova História Crítica", que analisei há 15 dias, mas, em essência, apresenta os mesmos defeitos e um novo, gravíssimo: faz propaganda político-eleitoral do PT. Na unidade 3, "A Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa", o livro diz o seguinte, logo na abertura, sob o título "Um sonho que mudou a História": "Em 1º de janeiro de 2003, o governo federal apresentou o programa Fome Zero. Segundo dados do IBGE, 54 milhões de brasileiros vivem em estado de pobreza. Em nenhum país do planeta existem tantos pobres vivendo entre pessoas tão ricas (...). Por que, apesar de tantos avanços tecnológicos, pessoas continuam morrendo de fome? É possível mudar essa situação? Os revolucionários russos de 1917 acreditavam que sim. Seguros de que o capitalismo era o responsável pela pobreza, eles fizeram a primeira revolução socialista da História. Depois disso, o mundo nunca mais seria o mesmo. Hoje, passado quase um século, o capitalismo retornou à Rússia, e a União Soviética, (...) não existe mais. Valeu a pena? É difícil responder. Mas como dizia um membro daquela geração de revolucionários, é preciso acreditar nos sonhos."
Entenderam a sutileza? Os alunos são levados a acreditar que não há país no mundo com mais pobres do que o nosso (os autores se esqueceram da Índia, para citar apenas um?). E que o Fome Zero seria o sonho de 1917 revivido.
Por uma questão de espaço, publico apenas na internet uma análise completa sobre como o livro trata o socialismo e o capitalismo, simpatia extrema pelo primeiro, crítica aguda contra o segundo (o leitor encontra essa análise em www.oglobo.com.br/opinião). Aqui vou me concentrar na novidade do livro, naquilo que mais espanta: a propaganda político-eleitoral.
Depois de relatar o sucesso do Plano Real no governo Itamar, o livro explica assim a vitória de FH sobre Lula nas eleições de 1994: "Uma habilidosa propaganda política transformou o candidato do governo, Fernando Henrique, no pai do Plano Real." Sobre os resultados do primeiro governo FH, o livro contraria tudo o que os especialistas dizem sobre os efeitos imediatos do Plano Real: "A inflação foi controlada, mas a um preço muito elevado. O desemprego cresceu, principalmente na indústria, elevando a miséria, a concentração de renda e a violência no país." Herança maldita é pouco.
Depois de contar como o governo foi obrigado a desvalorizar o real, o livro diz que o segundo mandato de FH trouxe duas conquistas no campo social: ampliou as matrículas no ensino fundamental e reduziu a mortalidade infantil. Mas o capítulo termina assim: "O PT chegou ao poder com a responsabilidade de vencer um enorme desafio: manter a inflação sob controle e combater a desigualdade social no Brasil, onde 54 milhões de pessoas vivem em situação de pobreza." Como os autores disseram no início, o sonho não acabou.
O livro termina com oito páginas sobre a fome no mundo e no Brasil. As causas da fome, apontadas pelo livro, são as dificuldades de acesso à terra, o aumento do desemprego e a divisão desigual da renda. Depois de repetir que "o nosso país tem fome", o livro "esclarece": "O combate à fome é o principal objetivo do governo Lula, que tomou posse em janeiro de 2003. Para isso, o governo lançou o Programa Fome Zero. A implantação do programa tem como referência o Projeto Fome Zero - uma proposta de política de segurança alimentar para o Brasil, um documento que reúne propostas elaboradas pelo Partido dos Trabalhadores em 2001. Leia agora parte desse documento."
E as crianças são então expostas a 52 linhas do documento de propaganda partidária elaborado em 2001 pelo Instituto da Cidadania, do PT. E a nenhum outro.
O Fome Zero, que não conseguiu sair do papel, vira História.
Tudo isso distribuído gratuitamente pelo governo federal a mais de um milhão de alunos. Isso é possível? Isso é republicano?
Não acredito que o presidente Lula aceite que propaganda política de um único partido seja distribuída com o uso de dinheiro público como se fosse aula de História. Não acho também que o MEC concorde com isso.
Fica aqui o alerta.
Três detalhes.
O livro, deliberadamente, confunde pobreza com fome. A OMS admite até 5% de pessoas magras em qualquer população (os geneticamente magros e, não, os emagrecidos pela falta de alimento). O Brasil tem 4% de magros e, em pouquíssimas áreas, esse percentual chega a 7%; a Índia tem 50%. A fome no nosso país é, portanto, um fenômeno localizado, na casa das centenas de milhares de pessoas, nunca na casa dos milhões.
O livro, que se bate contra a globalização e o neoliberalismo, foi impresso na China. Usando uma linguagem que poderia ser a dos autores, "roubando empregos brasileiros".
E, por último, para que o leitor tenha certeza da péssima qualidade do projeto, sugiro uma visita à página 83 do livro de geografia para a oitava série, da mesma coleção (1.087.059 exemplares, ao custo de R$4.859.153,73). Lá, num texto sobre o Islã, está escrito que a corrente sunita é a mais moderada e que "a xiita ou fundamentalismo islâmico é a mais radical". Sim, eles acham que o xiismo e o fundamentalismo são sinônimos. Sim, eles ignoram que a Al-Qaeda, a manifestação mais brutal do fundamentalismo, é sunita. No mesmo texto, está escrito também que a Arábia Saudita, o berço do sunismo radical, é... xiita.
Pobres de nossas crianças.
Efeito didático - Ali Kamel
O Globo
16/10/2007
Houve de tudo na reação provocada por meus dois artigos sobre livros didáticos. Tão logo saiu minha crítica ao "Nova História Crítica", o MEC se apressou a dizer duas coisas: o livro foi incluído na relação do MEC ao tempo de FH e excluído dela no Governo Lula. Quando publiquei o artigo sobre o Projeto Araribá, acusando-o, entre outras coisas, de fazer propaganda político-eleitoral do PT, o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse o seguinte: "O MEC só compra livros escolhidos pelos professores. Então, só tem três soluções: manter a liberdade, censurar os livros ou trocar os professores. Eu fico com a primeira." É, então, o caso de perguntar: a reprovação do "Nova História Crítica" se enquadra em qual das três categorias? Ou seja, retirar o livro que faz propaganda eleitoral do PT é censura; banir o "Nova História Crítica" não é. Um método de avaliação que não comporta uma reavaliação extraordinária é falho.
O curioso é que, antes de escrever o artigo, apurei junto ao MEC se o livro constava da lista dos recomendados e obtive um "sim" como resposta. Não sei por que agiram assim, mas, mesmo que tivessem me informado corretamente, o artigo seria publicado, naturalmente com a explicação do ministério: o fundamental era que o livro ficará em sala de aula até o fim do ano e permaneceu nela durante anos.
Disseram também que eu omiti críticas que o autor de "Nova História Crítica" faz ao socialismo real. Também não é verdade. Logo na abertura, eu escrevi que, para o autor, o socialismo só "fracassou até aqui por culpa de burocratas autoritários". Os trechos que reproduzi falam por si. Este é o ponto: o que pretendi mostrar, e mostrei, é que o livro tem o propósito de doutrinar as crianças para que acreditem que o socialismo é a melhor forma de organizar a sociedade, que o capitalismo é mau e que o que existiu até aqui não é o socialismo verdadeiro (embora o autor diga que as experiências socialistas foram melhores do que as das sociedades capitalistas de hoje). Vale reproduzir o trecho que fecha o livro. Depois de descrever o Fórum Econômico Mundial, o livro afirma: "Mas havia gente de fora que queria dizer não. Muita gente. A maioria das pessoas do planeta. Gente que não é proprietária de ações, que não viaja de avião na primeira classe, que não aceita que o mercado e os lucros capitalistas sejam colocados num altar como figuras divinas. Na cidade de Porto Alegre, o século XXI se abriu com duas grandes conferências (2001 e 2002) do Fórum Social Mundial. Percebeu a diferença no nome? O que deve ficar em destaque não é a economia (os lucros das grandes empresas), mas o social (o bem-estar da humanidade). (...) A idéia fundamental era a mesma: organizar a luta mundial contra o domínio absoluto do grande capital. O planeta deve pertencer à humanidade inteira. (...) Será essa a nova forma de fazer política no século XXI? Em vez de um partido político centralizado que se considera dono da verdade, múltiplas associações que se encontram, livres, autônomas, mas com o sentimento de um projeto comum, o de que é possível construir um outro mundo? A resposta, amigo leitor, caberá à sua geração." Mais doutrinação do que isso?
Mas meus artigos produziram outras reações bizarras. Dois deputados do PT, Fernando Ferro e Rui Falcão, acusaram-me de estar a favor do capital estrangeiro, ao criticar o livro, de enorme sucesso, editado por uma editora brasileira, a Nova Geração. Meu objetivo escuso seria o de ajudar a espanhola Santillana, dona da Editora Moderna, que, hoje, detém a maior fatia dos livros didáticos comprados pelo MEC. A infelicidade dos deputados é que Ferro fez o seu discurso exatamente no mesmo dia em que O GLOBO publicou o meu artigo "Livro didático e propaganda política", em que ataco duramente o "Projeto Araribá, Ensino fundamental, História 8", afirmando que o livro tem todas as falhas do "Nova História Crítica" e mais uma: faz propaganda político-eleitoral do PT. Rui Falcão publicou o artigo dele um dia depois, o que torna a coisa mais ridícula. Por que ridícula? Porque o livro que critiquei pertence à Editora Moderna, do grupo Santillana, a quem me acusaram de proteger.
A discussão não teve apenas bizarrices; houve também má-fé. Luis Nassif escreveu artigo, publicado em seu blog e no "Diário do Grande ABC", insinuando que eu fizera mesmo lobby para a empresa espanhola. Dava como "prova" uma sociedade entre a Editora Globo e a Santillana, numa terceira empresa, a Editora Uno. Uma mentira deslavada. A revista "Época", da Editora Globo, apenas encomendou, como cliente, à Uno, dois projetos - o "Guia Vestibular 2008" e o "Guia Época Enem 2007", ambos para serem encartados exclusivamente como fascículos. Confundir cliente com sócio não é erro, é má-fé. Com um detalhe sórdido: para dar mais credibilidade à sua denúncia, Nassif omitiu que eu escrevera um artigo atacando o livro da editora espanhola.
Escrevi uma resposta ao "Diário do Grande ABC", denunciando que Nassif mentira. Como resposta, Nassif publicou em seu blog a minha carta ao jornal paulista. Ao final dela, admitiu que fora "induzido ao erro", sem, porém, dizer por que ou por quem. Não pediu desculpas, nem a mim nem aos leitores dele, por fazer denúncia sem apuração. E em vez de dizer que a Editora Globo foi apenas cliente da Uno, preferiu usar o termo "parceira", no caso, de todo inadequado. Pior, não explicou aos leitores dele a omissão quanto ao meu artigo criticando o livro da Moderna e acrescentou alguns impropérios a mais contra mim. Imediatamente, escrevi uma tréplica, desmontando peça por peça o que Nassif dissera. À toa. Alegando falta de espaço, ele nada publicou, ignorando que o espaço na internet é infinito. Preferiu manter comigo uma longa troca de e-mails, em que ficou claro, para mim, que ele prefere conjecturas fantasiosas (e caluniosas) a fatos.
Eu não chamo isso de jornalismo.
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