Tuesday, July 31, 2007

Prenúncios do Apocalipse!

Meus caros!

Comecemos pelo que urge. Pelo que aflige a todo economista de boa estirpe! A fome do Estado!
(Entrada triunfal! São as trombetas que acompanham o título!)

Temos no jornal Valor Econômico de hoje (31/07):

"Superávit primário do governo central cresce 13,4% no 1º semestre. Despesas e receitas registram, no período, aumento maior que o do PIB" .

Pra quem não sabe, governo central inclui Banco Central, Tesouro e Previdência. Dois fatos assustam: a velocidade do aumento das despesas foi 2,7% acima do PIB, e as receitas, em comparação ao produto nominal, cresceram 3%. Um alivía: a taxa de aumento das despesas é bem menor que do ano passado, mesmo período, que foi de 6,2%, um absurdo.

Não é à toa o crescimento pífio nos últimos anos. E não é a esmo a baixa proporção do middle market entre as empresas do país: informalidade ou Simples aos pequenos, "Bolsa TJLP", investimento direto lá fora ou escala para as grandes. Quem não ganha tratamento fiscal especial se vira como pode (e como não pode!).

O resultado primário até agora é de 3,6% do PIB, perto da nova meta (alterada seguindo os PPIs). Sinceramente, mantê-lo nos próximos anos será uma árdua tarefa, especialmente se as despesas continuarem neste rítmo. Isto porque não acredito que o lado da receita continue a cobrir os gastos. Não pelo aumento de tributos, pois níveis superiores seriam acompanhados de gritaria e possivelmente não passariam no Congresso; talvez pelo aumento da massa salarial e da lucratividade das empresas, quem sabe. Ou seja, dependemos do crescimento do país! Justamente o que vem sendo atravancado pelos pesados tributos! Estamos sinucados!

Por fim, polemizo! O destaque entre as despesas ficou para aquelas vinculadas ao mínimo (subiram extravagantes 19,2% em relação ao ano passado), despesas com abono salarial e seguro desemprego (16%). Mas, os gastos com salários do funcionalismo subiram para 4,51% do PIB. Mais ou menos o que o país gasta com educação! Podemos chamar isso de "Bolsa Classe Média"? Classe média funça, claro! Como Diogo Mainardi já nos alertara, a "luta de classes" (COMUNIIIIISTA!!!) no Brasil é entre nós e o Estado! Acho que é quase por aí: se trava entre burocratas (e agraciados com gorjeta pública) e classe média não-contemplada!
Nem a "zelite", constante nos discursos do lula-molusco, estão no segundo grupo - já que levam o seu via BNDES!

Seria uma espécie de estatização do indivíduo?
Quantos de vocês não querem ser estatizados?

p.s.: eu já levo o meu pro bolso! R$ 940,00 todo mês! Acumulando capital humano para ser mais um especulador - mal sabem eles! "Sincofanta" diria a professorinha do PSOL (partido do socialismo OU liberdade!)

1 comment:

Dr House said...

Bem, a hora que eu começar a falar do Estado mesmo, vocês vão dizer que sou mais anarquista que qualquer outra coisa. Mas vamos por partes, Loyola. Manter o nível alto das receitas não me parece ser tarefa difícil, a carga tributária violenta não só o contribuinte, pessoa física, mas também pessoa jurídica. Isso é ruim?! É! Temos uma das maiores cargas tributárias do mundo e sem o aporte de serviços welfare-state que a Dinarmarca (a maior carga tributária) tem. Mas eles não tem uma dívida interna tão grotesca como a nossa. Não porque ela seja grande, mas é porque o mundo ainda duvida da gente pagar isso. Se eles duvidam, o arrocho é necessário para sinalizar que estamos fazendo algo. A entrada do Estado nos negócios pode ter um efeito devastador na economia, como uma desaceleração do crescimento, mas vamos ser mais realistas! A falta de crescimento se deve no Brasil mais a falta de uma infra-estrutura adequada para a produção e o movimentar das engrenagens da economia, na minha modesta opinião. É o que aliás, falta muito nesse país, transportes descentes para a locomoção de pessoas e de cargas! Mas disso, eu quero tecer com cuidado no próximo encontro...

No que tange ao nível de despesas e o cerne de sua polêmica, Loyola, eu acredito no seguinte: todo mundo quer ser estatizado. Eu quero, tu queres, ele quer, nós queremos, vós quereis, eles querem (e como querem, nossos deputados e senadores!), mas vamos ao que interessa: se o nível de despesa fosse compatível sequer com o atendimento descente do público com o privado, eu aceitaria esse estupro fiscal, o problema, como disse, é que não é! O pobre quando vai a fila do hospital implora: 'Dotô, DoTô, por favor, me atenda, minha mulher vai ter um filho no corredor do hospital e vai ter por cesária, o seu amigo médico nos disse!', o 'Dotô' chega e diz: 'Calma, calma, não priemos pelo pânico, o brasileiro está não só acostumado com as infecções hospitalares, mas com todo o caos da próxima iniciativa privada, veja só os aeorportos e as suas filas nos guichês...', mas 'Dotô', diz o pobre pobre, 'eu não tenho tempo sequer para viajar, quanto mais dinheiro, o que me interessa é minha mulher e filho, atenda-me', 'pois é', meu filho, 'mas o equipamento novo que encomendamos está no Porto de Santos preso pelos portoviários, na fila do check-in, esperando por médicos competentes para utilizá-lo...' pergunto, a culpa é de quem?!