Thursday, August 9, 2007

Pau na mesa, po!


Na minha época de ensino médio, eu achava que era errado a PM ser militar, achava que um militar tratando com o público era apenas coisa de Brasil, de fato, em nenhum país do mundo há essa alegoria. Eu achava também que era errado os militares ocuparem o DAC por completo. Principalmente quando ocorreu o trágico acidente de Congonhas, o Congonhas I, de 1996, até então o pior acidente aéreo do Brasil. A vizinhaça sofreu com o caso, e naquela época, tinha viajado para a capital paulista e, pequeno, eu já vislumbrava um acidente com os prédios, "Como eles conseguem se desviar dos prédios", perguntava eu na minha adolescência ao meu avô.

Pois é. Passaram-se 11 anos. Muita gente poderia ter sido poupada se um novo aeroporto fosse construído nesse ínterim, ou se as principais operações fossem desviadas para o bem equipado aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Faltou vontade.

Falta-me vontade também em aceitar que o Lula não vislumbrava isso. Como também me falta vontade em aceitar que esse texto é da sua autoria, contudo. É digno de um especialista no setor. Se bem que, apesar dos méritos, há seus deméritos ao redigir esse texto. E não falo de comprovar sua sabedoria do setor aéreo e sim informar o que sabia.

Faltam os elementos de distensão do caos aéreo no Brasil. Cadê os controladores e o dilema da carreira ser militar e civil? a falta de infra-estrutura dos aeroportos? onde está o problema de a ANAC fazer concursos que reúna pessoas competentes?!

Veja bem, eu não sou contra a desregulamentação, nem a favor completamente. Mas no que envolver assuntos de importância, como vidas humanas, devemos colocar pessoas competentes e em quantidade suficiente para isso. Note que:

"É preciso chamar as pessoas responsáveis e descobrir quais são as causas do problema do tráfego aéreo. Talvez a desmilitarização seja mais custosa, mas é necessário verificar a questão da eficiência" In: BBC Brasil


"O problema é a capacidade do governo de reagir com competência a uma situação de crise em um setor que, em última análise, é responsabilidade dele" In: BBC Brasil


Não basta selecionar quem sabe mais direito administrativo, ou português para selecionar um funcionário públioc para a ANAC. Não basta sabatinar um diretor da ANAC para saber se é ou não qualificado para o cargo, caros senadores. Tem que ter conhecimento! Conhecimento de quem é culpado, de quem manda tantos vôos para Congonhas, de saber quantos controladores temos e quantos trabalham, de quantas horas eles estão ou não trabalhando... isso tem que ser rigorosamente seguido, pois um presidente, de fato, não precisa saber de nada, mas que ele, no mínimo, coloque pessoas qualificadas para informarem a ele a respeito para tomar decisões acertadas.

O Lula comete nisso alguns erros crassos. Erros de administração. Noutro dia, estive lendo a BBC Brasil, e encontro uma de suas falas quando esteve em Honduras, por sinal, o primeiro chefe de governo em Honduras em mais de 100 anos de relações diplomáticas entre os dois países.

Quando comentava a respeito da cooperação dos dois países na áerea de combustíveis, ele soltou a frase:

"A Petrobras é uma empresa pública, com ações na bolsa, tem uma certa autonomia, mas apenas uma certa autonomia, porque quem indica a direção da Petrobras é o governo. Ainda bem" [Lula]

Não, Sr Presidente. Não é 'Ainda bem'... é mal ouvir isso, pois ela está sendo gerenciada, mais uma vez por mais um incompetente que seu partido indica. Ou da base aliada e mesmo que fosse ainda da oposição a coisa estaria preta. Mais uma vez, a ditadura da burocracia manda e ainda querem uma revolução bolchevique, dizem os nossos ultra-esquerdistas. Imaginem só darem os cargos de presidente do BC a um burocrata... viraríamos uma URSS, aliás, não só temos uma bebida muito parecida aos nossos amigos russos, como também nossa ditadura também os amava... Há quem diga que mais comunistas que nossa revolução de 64, apenas o PCUS [Partido Comunista da União Soviética].

É por isso que a culpa é do governo. É culpa da burocracia que ele cria e alimenta. É um monstrinho que criamos desde Getúlio Vargas, saímos do Patrimonialismo, quando o que importava era os conchaves entre políticos e a parentada ligada a ele; caímos na burocracia. Não na de Weber, mas em algo deturpado e instalado por Vargas. Alimentamos isso. Alguns tentaram algo como o gerencialismo, como o presidente anterior a Lula, mas isso foi em vão. Não porque o Lula não queira, pois só tapados defenderiam algo que é tão nocivo para o Brasil como nossa burocracia soviética, mas é que se tornou algo tão arraigado, tão forte o nosso monstrinho, que é difícil de matá-lo.

A própria burocracia se alimenta. Se há indicados no alto da empresa publica, é natural que esse indique pessoas de sua 'confiança' para baixo. A burocracia também tem que ser destruída totalmente, pois se não, ela renasce com toda força. Se não ha indicação lá em cima, colocando pessoas competentes, é natural, num país como o nosso, em que haja indicação de pessoas estritamente 'confiáveis' nas bases inferiores do escalão do serviço público. Parece ser a regra.

Vivemos a ditatura dos burocratas, mas isso, eu não vislumbrava no meu ensino médio. Diziam meus professores que éramos o terceiro mundo subdesenvolvido, o 'sul', que caminhava para o primeiro mundo. Mal sabia eu que já estávamos no segundo mundo. Agora é sentar e esperar que venha um Bóris Yéltsin...

Páu na mesa!!!!

4 comments:

Anonymous said...

Don Cielo, querido, seus textos me lembram os discursos do Fidel.

Loyola y Loyola said...

O Reinaldo Azevedo fez um comentário em um dos vídeos da Veja On-line muito pertinente, referindo-se à política econômica do governo FHC em comparação à deste governo:

"Boa parte das virtudes do Lula decorre do fato de que ele não consegue ser Lula. O que há de melhor em Lula é o anti-Lula".

Percebam a extensão da conjectura: ok, se eu não consigo um crescimento policy induced através de crédito barateado artificialmente (ou com quedas de juros mais rápidas...) como os PeTralhas sempre quiseram, que pelo menos eu possa gastar a rodo; um crescimento policy induced pela via fiscal.

Ou seja, o grande mérito do mollusco é ser anti-mollusco. Eles ainda não entenderam a importância do trabalho do BC, apenas viram com os próprios olhos (crise de 2002) que o mercado penaliza as aloprações propostas por eles. Já um dos grandes desmérito deste governo, a festa do gasto corrente - e soquem o contribuinte com mais imposto! - é a cara da esquerda lullista keynesiana desenvolvimentista irresponsável et caterva.

Mudemos de assunto. Todo e qualquer problema que venha da esfera pública - assassinatos aéreos, baixo crescimento, corrupção, pobreza, baixa educação - passa, necessariamente, pelo fato de termo um governo em processo de engorda. Já passou da hora do abate.

Loyola y Loyola said...

Solucionando apagões

Postado por Loyola y Loyola
em http://www.liberos.blogspot.com/

A solução eu já sei, sempre soube, e cansei de saber. Diferente do povoléo do PSDB, tão no muro que assusta, não devemos ter medo de apontar: privatização. Foi o que a IstoÉ fez nesta reportagem de Leonardo Attuch e Adriana Nicacio:

"Quer comprar um aeroporto?...... Uma estrada, uma ferrovia, um porto? A solução para a crise aguda na infra-estrutura é privatizar só falta o governo acordar"
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/515/artigo57623-1.htm

Destaque para algumas passagens:

"Privatizar faria com que o Brasil tivesse acesso a grandes volumes de capital que não só modernizariam os aeroportos, como reforçariam a segurança" afirma o especialista norte-americano Robert Poole, ex-assessor da Casa Branca em transportes.

"No setor elétrico, o governo admitiu na semana passada a possibilidade de um apagão em 2011, caso a economia continue crescendo 4,5% ao ano".

"Os empresários não têm segurança para investir diante do risco de falta de energia", diz Delfim Netto, apesar de ser o Delfim Netto.

"ONDE TEM CAPITAL PRIVADO, EXISTE RESULTADO. ONDE NÃO HÁ, SOBRAM PROBLEMAS" dizem os autores, seguindo à risca minha lógica simplista porém infalível, apesar não me conhecerem.

Não desistam. Um pouco de luz é suficiente para encontrarmos o fim do túnel.

Dr House said...

Eu não quero entrar numa discussão lógica-filosófica de ser ou não ser; mas se há mérito em ser 'anti-molusco', que seja dado ao seu ser, e não ao seu anti-ser! Não é apenas por uma questão lógica, mas é porque as pessoas erram e podem voltar atrás.

No que tange a política de privatizações desenfreadas, pode-se até ser levada adiante, mas as questões distributivas seriam brutais. O Estado não tem apenas o foco de ser 'eficiente no sentido de Pareto', mas tem obrigações de levar adiante até mesmo a forma de governo, e um governo democrático tem seus custos gigantescos. Não basta privatizar tudo, apesar de muita coisa sendo privatizada seria ideal, como os presídios, por exemplo.