
Pois é. Passaram-se 11 anos. Muita gente poderia ter sido poupada se um novo aeroporto fosse construído nesse ínterim, ou se as principais operações fossem desviadas para o bem equipado aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Faltou vontade.
Falta-me vontade também em aceitar que o Lula não vislumbrava isso. Como também me falta vontade em aceitar que esse texto é da sua autoria, contudo. É digno de um especialista no setor. Se bem que, apesar dos méritos, há seus deméritos ao redigir esse texto. E não falo de comprovar sua sabedoria do setor aéreo e sim informar o que sabia.
Faltam os elementos de distensão do caos aéreo no Brasil. Cadê os controladores e o dilema da carreira ser militar e civil? a falta de infra-estrutura dos aeroportos? onde está o problema de a ANAC fazer concursos que reúna pessoas competentes?!
Veja bem, eu não sou contra a desregulamentação, nem a favor completamente. Mas no que envolver assuntos de importância, como vidas humanas, devemos colocar pessoas competentes e em quantidade suficiente para isso. Note que:
"É preciso chamar as pessoas responsáveis e descobrir quais são as causas do problema do tráfego aéreo. Talvez a desmilitarização seja mais custosa, mas é necessário verificar a questão da eficiência" In: BBC Brasil
"O problema é a capacidade do governo de reagir com competência a uma situação de crise em um setor que, em última análise, é responsabilidade dele" In: BBC Brasil
O Lula comete nisso alguns erros crassos. Erros de administração. Noutro dia, estive lendo a BBC Brasil, e encontro uma de suas falas quando esteve em Honduras, por sinal, o primeiro chefe de governo em Honduras em mais de 100 anos de relações diplomáticas entre os dois países.
Quando comentava a respeito da cooperação dos dois países na áerea de combustíveis, ele soltou a frase:
"A Petrobras é uma empresa pública, com ações na bolsa, tem uma certa autonomia, mas apenas uma certa autonomia, porque quem indica a direção da Petrobras é o governo. Ainda bem" [Lula]
É por isso que a culpa é do governo. É culpa da burocracia que ele cria e alimenta. É um monstrinho que criamos desde Getúlio Vargas, saímos do Patrimonialismo, quando o que importava era os conchaves entre políticos e a parentada ligada a ele; caímos na burocracia. Não na de Weber, mas em algo deturpado e instalado por Vargas. Alimentamos isso. Alguns tentaram algo como o gerencialismo, como o presidente anterior a Lula, mas isso foi em vão. Não porque o Lula não queira, pois só tapados defenderiam algo que é tão nocivo para o Brasil como nossa burocracia soviética, mas é que se tornou algo tão arraigado, tão forte o nosso monstrinho, que é difícil de matá-lo.
A própria burocracia se alimenta. Se há indicados no alto da empresa publica, é natural que esse indique pessoas de sua 'confiança' para baixo. A burocracia também tem que ser destruída totalmente, pois se não, ela renasce com toda força. Se não ha indicação lá em cima, colocando pessoas competentes, é natural, num país como o nosso, em que haja indicação de pessoas estritamente 'confiáveis' nas bases inferiores do escalão do serviço público. Parece ser a regra.
Vivemos a ditatura dos burocratas, mas isso, eu não vislumbrava no meu ensino médio. Diziam meus professores que éramos o terceiro mundo subdesenvolvido, o 'sul', que caminhava para o primeiro mundo. Mal sabia eu que já estávamos no segundo mundo. Agora é sentar e esperar que venha um Bóris Yéltsin...
4 comments:
Don Cielo, querido, seus textos me lembram os discursos do Fidel.
O Reinaldo Azevedo fez um comentário em um dos vídeos da Veja On-line muito pertinente, referindo-se à política econômica do governo FHC em comparação à deste governo:
"Boa parte das virtudes do Lula decorre do fato de que ele não consegue ser Lula. O que há de melhor em Lula é o anti-Lula".
Percebam a extensão da conjectura: ok, se eu não consigo um crescimento policy induced através de crédito barateado artificialmente (ou com quedas de juros mais rápidas...) como os PeTralhas sempre quiseram, que pelo menos eu possa gastar a rodo; um crescimento policy induced pela via fiscal.
Ou seja, o grande mérito do mollusco é ser anti-mollusco. Eles ainda não entenderam a importância do trabalho do BC, apenas viram com os próprios olhos (crise de 2002) que o mercado penaliza as aloprações propostas por eles. Já um dos grandes desmérito deste governo, a festa do gasto corrente - e soquem o contribuinte com mais imposto! - é a cara da esquerda lullista keynesiana desenvolvimentista irresponsável et caterva.
Mudemos de assunto. Todo e qualquer problema que venha da esfera pública - assassinatos aéreos, baixo crescimento, corrupção, pobreza, baixa educação - passa, necessariamente, pelo fato de termo um governo em processo de engorda. Já passou da hora do abate.
Solucionando apagões
Postado por Loyola y Loyola
em http://www.liberos.blogspot.com/
A solução eu já sei, sempre soube, e cansei de saber. Diferente do povoléo do PSDB, tão no muro que assusta, não devemos ter medo de apontar: privatização. Foi o que a IstoÉ fez nesta reportagem de Leonardo Attuch e Adriana Nicacio:
"Quer comprar um aeroporto?...... Uma estrada, uma ferrovia, um porto? A solução para a crise aguda na infra-estrutura é privatizar só falta o governo acordar"
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/515/artigo57623-1.htm
Destaque para algumas passagens:
"Privatizar faria com que o Brasil tivesse acesso a grandes volumes de capital que não só modernizariam os aeroportos, como reforçariam a segurança" afirma o especialista norte-americano Robert Poole, ex-assessor da Casa Branca em transportes.
"No setor elétrico, o governo admitiu na semana passada a possibilidade de um apagão em 2011, caso a economia continue crescendo 4,5% ao ano".
"Os empresários não têm segurança para investir diante do risco de falta de energia", diz Delfim Netto, apesar de ser o Delfim Netto.
"ONDE TEM CAPITAL PRIVADO, EXISTE RESULTADO. ONDE NÃO HÁ, SOBRAM PROBLEMAS" dizem os autores, seguindo à risca minha lógica simplista porém infalível, apesar não me conhecerem.
Não desistam. Um pouco de luz é suficiente para encontrarmos o fim do túnel.
Eu não quero entrar numa discussão lógica-filosófica de ser ou não ser; mas se há mérito em ser 'anti-molusco', que seja dado ao seu ser, e não ao seu anti-ser! Não é apenas por uma questão lógica, mas é porque as pessoas erram e podem voltar atrás.
No que tange a política de privatizações desenfreadas, pode-se até ser levada adiante, mas as questões distributivas seriam brutais. O Estado não tem apenas o foco de ser 'eficiente no sentido de Pareto', mas tem obrigações de levar adiante até mesmo a forma de governo, e um governo democrático tem seus custos gigantescos. Não basta privatizar tudo, apesar de muita coisa sendo privatizada seria ideal, como os presídios, por exemplo.
Post a Comment