Wednesday, August 8, 2007

Viva a Sétima Arte!

Aceito minha inabilidade de criar, mas reconheço minha capacidade de reproduzir e acomodar idéias aparentemente distantes. É um processo fajuto de criação, já que meu único mérito foi possuir esta sinapse na caixola (e provavelmente não é minha exclusivamente). Batido o cartão da prolixidade, atendo ao pedido de concisão do nosso amigo ítalo-russo Turattovsky!

Tive o prazer de assistir à obra-prima de Akira Kurosawa, Ikiru, ontem à noite. "Mas o que isto tudo tem a ver com estatais, sinapse e concisão, pô?". Fui dormir pensando no que escreveria na minha parte sobre as Fundações estatais. Admito que não é preciso ter uma rede de sinapses muito vasta para perceber a ligação entre o filme e as discussões feitas até aqui (todas!), assim como sei que a parte da concisão ainda não chegou. Vamos lá.

O filme, Viver em português, mostra a vida de Kanji Watanabe através de sua morte e flashes de acontecimentos passados. Kanji é um funça idoso com câncer no estômago em busca de significado para sua vida, perdida, entre outros lugares, dentro do seu mundo de comodidade e estabildiade. Logo nas primeiras cenas o estereótipo da repartição pública típica é apresentado ao espectador, com pilhas e pilhas de papel sobre as mesas, o chefe (o próprio Kanji) carimbando ad nauseam etc. Em uma destas cenas, um grupo de mulheres aparece reclamando de um esgoto a céu aberto, ou algo do gênero, e um funça de cada repartição repassa as cidadãs para outra repartição, supostamente a responsável, onde o processo se repete n vezes até elas se enfezarem, o que obriga o último funça recomendar que a reclamação seja feita por escrito.

Parte pelo todo, nossas estatais, fundações, sociedades mistas, autarquias... em suma, a burocratada toda está como o personagem de Kurosawa e a mais-nova-analogia-pra-ignorante-entender-e-regurgitar-da-última-semana do vosso("nossa, que anti-democrático!") presidente lula-molusco: com câncer e em busca do significado de sua existência.
(o caos aéreo) "É como uma pessoa com a qual a gente está convivendo todo dia, não aparenta nada e vai ver está com metástase e ninguém viu o câncer. Não estava nas pautas das eleições, a imprensa não fez perguntas antes, todos foram pegos de surpresa - disse Lula, segundo um participante da reunião". (Engraçado...em 2002 o lula-molusco publicou no Gazeta Mercantil um texto de título "Morte anunciada do transporte aéreo" entrem no link ao lado e desapreciem com desmoderação - sim, estas palavras existem!)

Por isso, peço cuidado a vocês meus amigos, que tanto anseiam por um lugar na aparente festança do gasto corrente. Como sabemos, as células ainda sadias, mas perto das cancerígenas, podem se infectar. E aí a tudo acaba como nestes filmes livres de happy-endings hollywoodianos.
Arbeit macht frei, apesar dos nazistas terem queimado a expressão!

p.s.: neste post, fiz como o Paulo Francis quando estava entediado com a discussão, no Connection original. Ele escolhia a primeira arte. Eu optei pela sétima!

2 comments:

Loyola y Loyola said...

Bem, fora todo o exagero e dramaticidade do final, acho que devo apontar alguns exemplos sintomáticos da situação da "burocratada":

- agências reguladoras: não é consenso se este é o melhor modelo; o lulismo não sabe se este é o melhor modelo, já que tira poderes deles!

- a nova meta de inflação do BC: houve ou não houve ingerência? deve haver ingerência (pff!)?

vocês conseguem apontar outras crises existenciais na burocracia estatal brasielira?

Dr House said...

no post seguinte, menciono mais uma crise na burocracia, o excesso de...