Wednesday, August 15, 2007

It´s the economy, stupid!

Em texto intitulado Os múltiplos de Lula-Molusco (sim, sempre ele! Como bom brasileiro, não desisto nunca!) expus meu theta. Além de partir da (velha) premissa politicamente incorreta (e, por isso, esquecida pela imprensa) de que o lula só está aí – e ainda – porque é grande o número de brasileiros que não sabem votar, apresentei minha máxima:

“Eu, com minha máxima infalível (recomendo... é imbatível e poupa tempo) de que tudo que é público dará m_r_a cedo ou tarde...”.

No caso norte-americano ela é válida. Aliás, especialmente mais válida (!) que em países como o nosso, onde o estrago que o governo pode causar, em termos monetários, é relativamente menor que lá. E a explicação para esta guinada à esquerda nos EUA decorre dela, da minha máxima. Em certo momento a revista afirma:

“Even Mr. Bush's apparently oxymoronic trust in ‘big-government conservatism’ is shared in practice by most Republicans in Congress” (negrito por minha conta).

Países que brincam de grandes governos e grandes intervenções estatais, cedo ou tarde, pagam o preço do erro. Os países escandinavos, neste caso, não são exceções, haja vista as crises do início da década de 90 e as alterações nas tetas mamáveis (sugiro o texto do economista sueco Stefan Karlsson). Com os norte-americanos não será diferente. O problema virá da incapacidade dos governantes de sustentar a economia, tendo em vista que não cabe a eles sustentar economia alguma, e da percepção errônea do eleitorado de que lhe é de direito ser sustentado pelo Estado!

Com isto, teremos ondas de protecionismo, “nossa indústria deve ser protegida” ou “olha quanto emprego e renda nós geramos” (quanto emprego e renda não é gerado no tráfico de drogas, ou mesmo na prostituição de menores, e nem por isso os protegemos); distribuição de dinheiro público a rodo no health-care universalizado (o problema, acredito, não está no health-care em si, mas no universalizado); invasão dos verdes, com imposição de maiores restrições à construção e à exploração do meio-ambiente (seguindo a máxima, provavelmente será feita através de taxação, ou mesmo por impedimento, e não por concessão e regulamentação da exploração); leis de “proteção” ao trabalhador e ao desempregado (engraçado, na escolha entre trabalhar-ou-não levamos em conta salário versus ganhos de utilidade do lazer... se te pagam pelo lazer, o que vocês acham que acontece com a quantidade de trabalho ótima? Pois é!) etc.

Já conhecemos os perdedores: os outsiders do mercado de trabalho, especialmente os menos produtivos, o consumidor, que passará a pagar mais caro pelos produtos protegidos (nosso nacionalismo deveria ir tão longe quanto nosso bolso permitisse?!), os acionistas das empresas (cidadãos comuns como as velhinhas da Flórida, do grandes fundos de pensão), e as futuras gerações (coitadas, não votam!). Está comprado o ticket para o caminho da servidão.

8 comments:

Dr House said...

Por hora, eu gostaria apenas de ressaltar o ponto: "grande o número de brasileiros que não sabem votar".

Eu não concordo. Se formos contruir uma teoria baseada na irracionalidade dos agentes, não há poder de previsão, não há teoria que funcione. Há um interesse racional por detrás do voto, seja por políticas assistencialistas (pobres), seja por patronagem (ricos). E nesse caso, o título é bem sugestivo: "It's the economy, stupid!". Votar em Bush é ter votado pela segurança da America, em nivel macro (apesar de micro haver grandes motivos, como as tais políticas, principalemnte do setor armamentista e cigarro); agor, como a diminuições da atenção dos alertas terroristas, há vinda de antigos problemas, como social issures, como dito.

Daí a idéia dos interesses individuais levarem ou não a maior ou menor bem-estar, levantada ao fim do texto. No mais, vou deixar aos colegas tecerem maiores considerações

Loyola y Loyola said...

Bollocks!

Basta você imaginar indivíduos com conjuntos de informação assimétricos. Ele é racional dado este conjunto, nas não saberia votar porque não tem em mãos as informações necessárias para escolher bem seu candidato.

Se os votantes não percebem causalidades como "gasto público gerando inflação e diminuindo poder de compra" ele não é capaz de escolher o candidato que "diminuirá gastos, combaterá com menores dor a inflação e gerará maior poder de compra", por exemplo.

Ou seja, no "meu modelo" ele ainda é racional mas é desinformado, como parecem ser os múltiplos do nossos presidente - que aliás não sabe(ia) de nada também!

Os votos são racionais dado o conjunto de informações disponíveis (inteligíveis) a cada, mas não são ótimos, resultado esperado pela assimetria.

Anonymous said...

A América, principalmente a Latina, está virando à esquerda. Ou seria ao comunismo:
http://www.youtube.com/watch?v=yfIpnd7wN8o

Esse vídeo mostra o que o PT quer fazer com o Brasil. Espero que vocês gostem!

Dr House said...

Sim! Agora sim! Dado que a maior parte da população não tem acesso a internet, não lê, não sabe uma segunda língua, é natural pensar que os conjuntos informações sejam diferenciados.

Contudo, o que é saber votar?! Não é querer o bem próprio?!

Anonymous said...
This comment has been removed by the author.
Anonymous said...

Discordo do "modelo de informação assimétrica" de Loyola. Reconheço nele traços de autoritarismo e arrogância e, apesar de compartilhar do medo de estarmos "caminhando para a servidão", não posso aceitar que alguém diga que "ele" sabe votar e os outros não. É meio caricatural: "eu tenho informação, sou intelectualmente capaz de entender o que acontece a minha volta e tenho os principais modelos econômicos na minha cabeça, por isso posso fazer escolhas. Os outros não, eles não percebem as relações de causa e efeito existentes nesse mundo tão complexo. Isso faz da minha opinião a verdade absoluta." Menos!!!

Entendo que a indignação tenha subido à cabeça... na atual conjuntura isso é perfeitamente perdoável.

Loyola y Loyola said...

É muito mais simples que pura panfletagem minha. É um resultado esperado em qualquer modelo de informação assimétrica. Se não entendo tudo o que está em jogo, não atingirei o first-best. Simples e direto.

Se não, não necessariamente poderiamos atribuir a importância que atribuimos à educação. E aquela história de que educação traz melhores escolhas? Qual é a via para isso? Não seria entender causalidades, mais informação etc.?

Seria a literatura de crescimento endógeno caricatural e elitista?

Também não encontrei em meu texto nada que dê espaço para que alguém concluia que detenho a verdade absoluta, muito menos que tenho esta pretensão. Perdôo a falácia do "levar ao extremo"!

Loyola y Loyola said...

[off-topic] comentem meu texto do outro blog. Segue o link.

http://liberos.blogspot.com/2007/08/esperando-pelo-happy-end.html